Existem histórias que parecem pequenas à primeira vista, mas carregam um Brasil inteiro dentro delas. Esta é uma delas.
Em 1982, durante a Copa do Mundo da Espanha, o café brasileiro entrou em campo de uma forma discreta, quase silenciosa, mas profundamente simbólica: escondido no escudo da Seleção Brasileira.
Naquela época, o Brasil vivia uma relação muito forte com o café. Por décadas, o grão foi um dos grandes símbolos econômicos do país, reconhecido dentro e fora das nossas fronteiras como o famoso “ouro verde”. Mais do que um produto agrícola, o café era parte da identidade brasileira. Estava nas fazendas, nas casas, nas mesas, nas conversas e, de certa forma, no modo como o Brasil se apresentava ao mundo.
E se o café era uma paixão nacional, o futebol era outra.
O café como símbolo do Brasil!
Para promover o café brasileiro internacionalmente, existia o IBC, o Instituto Brasileiro do Café, criado em 1952 para cuidar da política cafeeira nacional e fortalecer a imagem do produto brasileiro no mercado.
Desde os anos 1960, o IBC já entendia algo que hoje parece óbvio para qualquer estratégia de marca: o futebol era uma vitrine poderosa. Ídolos brasileiros ajudavam a levar a imagem do nosso café para outros países, aproximando o grão de uma linguagem universal.
O Brasil jogava bola como poucos. E produzia café como poucos.
Era apenas uma questão de tempo até essas duas forças se encontrarem de maneira ainda mais marcante.
A jogada de mestre
No início dos anos 1980, a recém-criada CBF buscava novas formas de receita. Foi nesse contexto que o IBC investiu cerca de US$ 3 milhões em uma parceria para promover o café brasileiro junto à Seleção Brasileira.
A ideia era ousada: associar o café à camisa mais famosa do futebol mundial.
Mas havia um obstáculo importante. A FIFA proibia marcas comerciais nos uniformes das seleções. Nenhum país poderia simplesmente estampar um patrocinador na camisa durante a Copa.
Foi então que surgiu uma solução brasileira no melhor sentido da palavra: criativa, estratégica e discreta.
O escudo foi redesenhado. Saiu a antiga cruz da CBD, entrou a sigla CBF, a Taça Jules Rimet e, ao lado dela, um pequeno raminho de café.
Não era um anúncio no peito.
Era o café brasileiro dentro do próprio escudo da Seleção.
O raminho que entrou para a História
O detalhe era pequeno, mas o significado era enorme. O raminho de café foi estampado no uniforme de uma das seleções mais admiradas de todos os tempos: o Brasil de 1982, comandado por Telê Santana.
Aquele time encantou o mundo com Zico, Sócrates, Falcão, Júnior, Toninho Cerezo, Éder e tantos outros nomes que se tornaram referência quando se fala em futebol-arte.
Mesmo sem conquistar a Copa, aquela Seleção ficou marcada na memória coletiva como uma das mais belas expressões do futebol brasileiro.
E no peito daquele time estava o café.
Um símbolo discreto, mas poderoso. Um lembrete de que o Brasil também entrava em campo com sua história agrícola, sua força econômica e sua cultura de origem.
O raminho de café ainda permaneceu associado ao escudo por algum tempo, mas acabou desaparecendo sob pressão das regras internacionais.
Ainda assim, ele não saiu da história.
Aquele símbolo ajudou a inspirar a marca “Cafés do Brasil”, registrada oficialmente em 2000 e usada para representar a origem brasileira do nosso café no mundo.
O café saiu do escudo, mas continuou vestindo o Brasil.
Esse orgulho continua na xícara
Na TERRAFÉ, essa história tem um significado especial.
Porque falar de café brasileiro é falar de origem, produtor, território, tradição e excelência. É reconhecer que cada xícara carrega um caminho longo: da lavoura à colheita, da torra ao preparo, da mão do produtor até a mesa de quem aprecia.
Nas montanhas do Espírito Santo, produtores capixabas seguem escrevendo novos capítulos dessa história. Com técnica, dedicação e cuidado, eles mostram que o Brasil continua sendo uma das grandes referências mundiais em cafés especiais.
A mesma paixão que um dia colocou o café no peito da Seleção segue viva em cada microlote, em cada safra e em cada xícara preparada com respeito à origem.
O café do Brasil sempre mereceu vestir a camisa.
E, na TERRAFÉ, temos orgulho de continuar servindo essa história.
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